segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Poor Charlie...
Pobre Charlie
Charlie quis conquistar o amor perfeito
Não o amor adoçado com açúcar
Mas com mel.
Charlie quis perseguir o amor de um jeito
Que se tornou facil, muito fácil
Conquistar o amor
Cruel.
Não se banha no amor impunemente
A quarentena no deserto é amiúde
E o tempo ali se esvai tão lentamente...
A fonte de toda dor é o desejo!?
Mas como não desejar a plenitude
Ser tão só sendo todos, plenamente!!?
Oz
13.08.2018
domingo, 21 de janeiro de 2018
De um lugar-comum (e outros chavões...)
Num dia estamos aqui
num outro somos lembrança
num dia há tanto medo
num outro tanta esperança
Em busca dos próprios passos
a sombra nos acompanha
num corpo com pouco espaço
( ...e tudo é tão inútil )
A recusa em partir
O desejo de chegar
Por quê ficar ?! por quê ir ?!
Tanta ausência mortifica
Tanta palavra emudece
Tanto medo paralisa
A morte, a não-presença
tão presente nessa dança
a que chamamos de vida
Num dia estamos aqui
num outro temos que ir...
Em algum canto, na noite
diz a doce voz do vento,
os sinos dobram por ti
Teu viver é o teu açoite
Te abrigas em pensamentos
por não ter como fugir
( e tudo é tão estranho...)
Palavras, o vento leve
na face, sinais de febre
sinais de vida, distante
na mente, brota o deserto
e estrangula no berço
minha sede de navegante.
( e tudo é tão previsível...)
Oz
21 de Janeiro de 2018.
T
domingo, 12 de novembro de 2017
Ouvindo " if you could remember"...
E daqui da caverna em que me encontro persigo desesperado o sol.
Inutilmente arranho as paredes e brado contra o silencio das ruas lá embaixo ( e alguém grita de volta: Vai dormir filho da puta...)
Eu, do cume da minha vaidade, balbucio (é assim que se escreve?? ) contra as cinzas em que a cada segundo me transformo e calo-me e oro...
Oz
Sábado, 07 de Janeiro de 2017
03:22 hs
do girassol que sonhei
Um minúsculo girassol negro habitou a manhã.Invisível. Límpido.Negro. À medida que o dia avançava o girassol crescia lenta e inexoravelmente rumo á tarde, e esta se tornava mais escura à sua sombra. O homem que o cultiva começa a vacilar.
(...)
Sua visão se torna lentamente turva mas ele avança rumo à noite que se avizinha.
07.11.2017
Fome
Alimento-me do verbo
e não por sede ou fome de saber
se a vaidade me impulsiona ou o acaso
o verbo é o meu pão...
sei lá o porquê !!
O apetite voa e pousa em tudo
e todo instante agora é a vida inteira
e, no menu, o prato é o absurdo.
Abrigo e fonte de uma fome infinita
minha memória se sacia no vazio
de uma noite sufocante e um dia frio.
...E alguém me diz de um tempo incerto e mudo.
Meu alimento é o verbo decadente
sombras de sombras e declarações não ditas
alimento-me do que me é ausente.
Oz
12 de Novembro de 2017
domingo, 9 de abril de 2017
de plágio
quero plagiar teu verso mais sublime
teu beijo mais ardente
teus crimes
teu mais secreto amor
os vôos da tua mente
teu corpo palatável
teu mais casto sorriso
o teu ser inconcluso
teu viver inefável
os teus gestos mais frágeis
teu leito mais extenso
tuas margens
plagiar teus complôs
teus enigmas e cismas
o teu andar felino
proteger-te do açoite
seguir-te
sem saber se existes
aonde fores de noite
partilhar o teu sono febril
teus silêncios
os teus vôos no vazio
do imenso...
enfim
te fazer novamente minha esfinge
te beber novamente na fonte
te viver plenamente...
Oz
08.10.2016
Hoje está tão frio...
meus caminhos tortos
meus pés vacilantes
meus medos secretos
meus casacos rotos
meus vôos rasantes
meu pomar sombrio
Hoje está tão frio
minha sombra disforme
meu corpo alquebrado
meu leito de pedra
Hoje está tão frio
doce, a lembrança da aldeia
infinita, a distãncia
impossível, o retorno
E tudo, tão vazio.
Oz
24.09.2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
Da ausência do Charlie...
Um grande vazio nos acolhe, aquece, nos dá sentido num mundo cada vez mais carente de sentido. Por vezes uma sombra nos agarra e nos empurra suavemente rumo ao silencioso lago do olvido e do desconhecido.
A nossa crença se tornou uma nau desgovernada
" e tua lembrança restará para sempre na memória esquálida dos teus mortos "
Notícias do Charlie:
Agora que a batalha silenciou, à distância Charlie vê os últimos raios do sol que se põe, ele ouve o uivar de um cão pros lados da floresta e bem próximo, à beira de um barranco, um colega que dorme, há dias, um sono eterno...
Não há mais o que buscar; o estandarte foi capturado pelo inimigo que também se foi; qual o caminho pra casa?
Não há mais casa...
A taberna foi incendiada. O povoado foi incendiado. O fogo varreu tudo...
O fedor.
O fedor é inenarrável...
Há um rádio num canto. Mudo. Não há pilhas.Não há canções. Não há...
Há um joelho partido. É preciso arrastar-se para fora desta toca. É preciso esquecer o fuzil e nem há projéteis e Charlie já não tem vontade de mirar ninguém...
Em algum lugar por aqui havia um porto, ele sabe, e uma voz lhe diz: Oriente-se pelas estrelas!
e ele busca a Ursa Maior mas tudo está embaçado. Seus óculos se perderam há muito...
É preciso arrastar-se para fora dessa toca...
(...)
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Sem planos
O que assombra é a luz difusa no abismo
Verdade é: não me pautei pela razão
condicionado às tentações do misticismo.
O som que brota das trombetas na outra ala
me desespera, me espanta, me acalenta
sou convocado mas pertenço a outra escala.
O riso louco do vizinho me consola
A silhueta na janela me fascina
Sou alfabeto mas pertenço à outra escola.
Sou vegetal, sou mineral, sou oceano...
E o que me aguarda logo após aquela esquina ?
Reconfortante é não restar um outro plano...
Oz
29.01.2016
Agora é silêncio...
Já não vale a pena dizer qualquer coisa
e a sombra silenciosa vagueia ao meio-dia
entre tantas outras sombras, fugidias
meros traços mudos numa lousa.
Já não faz sentido reviver o verbo,
o que era eterno se tornou fugaz,
o grande criador agora é incapaz
de criar; e a tua herança é um silêncio enfermo.
Já não vale a pena reparar os danos,
o berço da mudez gera os frutos da dor,
já nem vale a pena dizer " eu te amo ".
E nem adianta alterar os planos,
o verbo jaz vazio, intátil, sem calor,
adubo no jardim dos desenganos.
Oz
29.01.2016
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Autoanálise
Como sou feio
Qualquer tantinho de beleza de comove
Qualquer toque de carinho me faz bem
Qualquer asinha de morcego é um recheio.
Como sou feio, feio noite e feio dia
Se eu fosse belo eu montaria um harém.
E do amor faria uma heresia
Um belo corpo, um pescoço me incendeia
uma bela jugular me entorpece
sou lobisomem e você, a lua cheia
Como sou feio
qualquer beijo me cativa
e qualquer som a mim me soa a blues
na esteira do pecado estou na ativa
Eu sou feio & eu que sinto tudo
eu que não soube o insano lado da beleza
narciso cego num espelho mudo.
OZ
04/12/2015
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