À deriva
quarta-feira, 17 de junho de 2026
À deriva: Do vale...
jamal na Escola Primária.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Animus possidendi
E tu, que vens a mim
com animus lucrandi
saibas que não tenho
nada pra te dar.
Mas se quer algo grande
se quer algo nobre
talvez tão desejado
quanto cabos de cobre,
no meu modus faciendi
quem sabe, contra legem
perante o teu desenho
garanto o meu empenho
E, já fora de mim
talvez dentro de ti
com animus possidendi
eu vou te possuir...
è assim que vou te amar...
Oz
Junho de 2026
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Profecia
A noite luta sozinha
contra sonhos hibernais
na manhã, cavalos negros
batem cascos matinais
lá dentro da camarinha
morcegos, pombas, pardais
lebres, ursos, cascavéis
tartarugas e chacais.
pequena arca perdida
num mar que não dá guarida
antes, salgam as feridas
do homem, pedras, vegetais.
(...)
Nossas bençãos vem canhotas
são de deuses informais
e no pátio da abadia
com uma canção tardia
um vagabundo anuncia
novos reinos celestiais
(...)
Nestes dias conturbados
cheios de melancolia
um habitante do passado
dentro da moldura fria
diz de um futuro imenso
e com um furor intenso
prevê crimes capitais.
(...)
Oz
Maio de 2026
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Cantiga das estações para Catarina
Sonhei estar contigo
plenamente
enquanto houvesse espaço & tempo
Tu estarias comigo
longamente
até que Ela nos beijasse
de repente.
E, se não surgissem trilhas
nossos passos
faroletes rumando a um sol de março.
Eu quis estar contigo; e era outono
te vestir com as cores do verão
eu quis te converter à minha crença
torná-la o meu pássaro pagão.
Quis fazê-la a minha recompensa
sem perceber, violei a tua essência
(...)
E "enquanto a primavera cruza o rio "
Quintaniávamos no silêncio desse inverno
cantava-te teus arcanos de inocência
e então nos envolvia o manto eterno
Eu quis estar contigo para sempre
sem perceber que para sempre é o presente
e o presente acaba de repente
Oz
Março de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Epitáfio
Tô indo embora
mas até que não fui mal !
deixo aqui dois filhos maravilhosos;
deixo aqui um livro com versos tortos
e mais ainda,...
um limoeiro no quintal !!
Oz.
(...
quarta-feira, 12 de abril de 2023
no tabuleiro
E, se te abraço, sinto que o amor existe.
não esse amor abstrato, tão em voga
não esse amor que parece estar de folga
quando a urgência do amor é tão premente.
Acho que o amor não acontece de repente
não é como a paixão, um dedo em riste.
Se me abraça, essa simples ação me outorga
a fé no amor. Estou presente.
Mas, quando você se afasta, eu volto à vida
outra vez no tabuleiro da razão que tanto louvam.
O homem é só.
Quando nascemos, começamos a partida
na qual já sabemos de antemão o lance derradeiro.
Retorno ao pó.
Oz
12. 04.23
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Na ilha das impossibilidades
(ou o desfecho trágico de tantas negativas)
João queria começar de novo mas Maria lhe dizia:
já é tarde joão. agora já não dá. agora não dá mais.
João queria viver poesia mas Maria lhe dizia:
agora já não dá, joão; a poesia morreu.
agora não dá mais.
joão queria comer um ovo mas maria lhe dizia:
agora já não dá joão, o ovo gorou
agora não dá mais...
Ah, maria! Ah maria!
João sempre quis visitar Paris mas mais uma vez maria lhe diz:
agora já não dá joão, agora não dá mais...
Paris nossa é aqui, se quiser, nade, e vá para Mongaguá...
João queria partir para longe mas Maria lhe dizia:
a canoa furou, joão, você não sabe nadar...
agora já não dá, joão, agora não dá mais...
joão já ia correr pra pular da ponte mas maria lhe diz:
a ponte? a enchente a levou, joão.
agora já não dá. agora não dá mais...
Nessa altura o João quis ir pra lua mas, então, a maria lhe diz:
agora já não dá, joão; o foguete partiu, lotado de lunáticos,
pode ir pro quintal, lá você pode ouvir, lá você pode uivar...
mas agora não dá...
então o João quis comer a Maria mas a maria lhe diz:
agora já não dá, joão, a maria está puta...
agora não dá mais...
Ah, maria! Ah, maria!
João comeu o ovo, joão bebeu cachaça, joão tomou um porre
chegou a maria: Tome cuidado joão, vai morrer de cirrose...
joão lhe devolveu no colo o ovo que comeu...aquilo que bebeu...
agora já não dá. agora não dá mais...
Nessa mesma tarde, tomado de dor, de raiva e de asco
catou a maria
e a jogou do penhasco...
agora já não dá, agora não dá mais...
Oz.
Quinta-feira. 20 de Janeiro. 2022.
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
de uma determinada cor...
Estranho como, de repente, um pequeno detalhe " cor de canela" foi como uma faísca capaz de incendiar meio canavial que são os meus pensamentos, e ainda hoje, aqui e ali, ainda sinto o calor que emana das cinzas que o vento norte não conseguiu levar...
terça-feira, 3 de agosto de 2021
Um ponto que diz tanto, tão distante...
Há muito, ele vagueava por um vale de sombras, o coração contrito, sob um sol frio e um vento cortante, seus pés congelavam ao contato com as pedras. Ele estava arfante, ele estava aflito.
Por muitas manhãs caminhou sem destino certo e tentava se lembrar de uma canção que ouvia na infância, mas nunca se lembrava, e só balbuciava; até que um dia, também numa manhã, na verdade, era quase meio-dia, pensou avistar ao longe o que parecia ser um jardim, e era, oculto entre as ruínas de um convento abandonado; ele não acreditou, ele ficou extasiado.
Havia ali caliandras, canela-de-ema, topete de cardeal, marizeiras; orquídeas brotavam em alguns troncos adormecidos por ali...à direita daquele jardim, num canto mais afastado, uma se destacava: uma flor-de-lis; enquanto ele a admirava, as nuvens se abriram e o sol se tornou mais brilhante sobre ele e sobre aquele antigo convento e então se desenhou na sua memória aquela antiga canção e o seu coração se alegrou.
Sentiu que algo que desconhecia o levara até ali. Até a sua flor-de-liz...
Oz
15.07.2021
quinta-feira, 15 de julho de 2021
autômatos
O mais assustador é a falta de sentido
a indiferença, o vazio interior, o inimigo
o chamado inaudível, interrompido.
O verão do isolamento é frio e denso
a sombra diz: aqui estou e vos protejo.
A presença do invisível é algo intenso.
A assembleia quedou-se, inerte, muda
o equilíbrio entre a dor e o desejo
desinstalou-se; um hiato imenso.
Não há mais " meu irmão", " meu endereço"
Não há mais " meu reino"; todos despidos
Vontade, Fé, Razão; meros adereços.
Oz
15.07.2021
À deriva: Do vale...
À deriva: Do vale... : Este é um vale situado em algum lugar no Peru . Passamos por ele quando retornávamos num Pullman ( uma espécie de tre...
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E tu, que vens a mim com animus lucrandi saibas que não tenho nada pra te dar. Mas se quer algo grande ...
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Este é um vale situado em algum lugar no Peru . Passamos por ele quando retornávamos num Pullman ( uma espécie de trem com alguns confortos:...