sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Autoanálise

      Como sou feio
      Qualquer tantinho de beleza de comove
      Qualquer toque de carinho me faz bem 
      Qualquer asinha de morcego é um recheio.
      

      Como sou feio,  feio noite e feio dia 
      Se eu fosse belo eu montaria um harém.
      

      E do amor faria uma heresia

      Um belo corpo, um pescoço me incendeia
      uma bela jugular me entorpece
      sou lobisomem e você, a lua cheia

      Como sou feio
      qualquer beijo me cativa
      e qualquer  som a mim me soa a blues 
      na esteira do pecado estou na ativa

      Eu sou feio & eu que sinto tudo
      eu que não soube o insano lado da beleza 
      narciso cego num espelho mudo.



      OZ
      04/12/2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Do bom partido




          E, de repente, o sátiro virou-se para ela e disse:
_____Meu bem, o bom partido aqui é ele__ apontando o cara no canto da mesa___ e completou__ que mora no Leblon...
          E ela alí, imperturbável como Bruce Lee, apenas com um leve sorriso nos lábios. A  pequena ninfa de ébano sabia que, alí, naquele momento, era o centro da atenção de todos da mesa...E       o jovem(ainda) grisalho e enigmático e o seu mais recente amigo Escobar haveriam de seguir, também impassíveis, pelas veredas destes tempos pétreos...
         

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

1° versão de uma impressão



          O rio agora é parecida á Sarayevo
          nem imagina que em tuas ruas centenárias
          Dandareias alguém  tão leve & suave

          E quem fez do posto 11 a tua nave ?
          O que busca o jovem moço e inquieto ?
          talvez o alvo radiante do desejo

          Um sátiro & um  anjo bêbado & e um visionário
          os acolheram um habitante da aldeia
          e até mesmo um jovem amante dos aquários

          Leblon, Copacabana. Ipanema.
          Bar Jobi. O Fellini. A Capixaba
          Posto 10, posto 11. Maré alta.

          São passagens. Sobrevivem no poema
          mais um chopp. uma dose. A vida grassa
          A ninfa no outdoor é o que o assalta.


          Oz.
          Nov.2015

          "È engraçado constatar que alarmes são parafernálias imprevisíveis..."
desculpe aí Léo. (rssss)



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Parte 3. mais fragmentos




          Boteco da Tia Joana. Copacabana. um minúsculo bar situado numa esquina de ruas das quais não lembro mais os nomes. E lá estávamos nós sentados à uma mesa com alguns amigos do W.H.; O Marcio e sua jovem esposa Anne; o irmão desta, o Alexandre, enfim, o tal bar é um lugar singular, melhor, um local "sui generis", seja lá o que isto quer dizer. Os amigos do W.H. Marcos e Anne são pessoas inteligentes, legais. Lá pelas tantas eis que de repente ela surge, sorridente, simpática, sapeca. O Durelli a percebe e inadvertidamente comenta isto com alguém do lado, alguém que a conhecia. Mas as coisas se complicariam com a entrada em cena de alguém até então acima de qualquer suspeita...

          ---Vá lá cara, senão eu mesmo vou...
          ---Calma cara, eu vou... mas ele não foi e em poucos minutos o Sr. Knife já falava nos ouvidos da pequena ninfa de ébano. Enfim, mais um destes surpreendentes lances que surgem do nada.

(...)

cont. re-lembranças

          

          Aviões A320 são pequenos e eficientes. Pelo menos penso assim e nem precisei do amparo técnico do Kafka amigo do Durelli. Aliás este jovem mancebo, como tem acontecido nos últimos 40 anos atraia como um imã, as atrações de todos os polos. (mas isto fica pra depois).

          O ir e vir das pessoas, gera em mim, e creio, em outros, uma espécie de inquietude e dúvidas : O que buscamos realmente?

          Rua prof, Artur Ramos, n° 34 Leblon o cara displicentemente anda pela calçada fumando um cigarro, ao chegar à esquina joga-o no chão e imediatamente é cercado por umas 30 pessoas, entre guardas, fiscais e o escambau.
_____ O Sr. acaba de cometer uma infração. jogou o cigarro na via pública e por isso será devidamente multado de acordo com a lei ... blá blá blá. 

          Saca do bolso um caderno escrito 'kid' numa capa; o caderno cheio de oreia de burro...pega a identidade do cara, puxa uma maquininha do bolso e em segundos o auto está lavrado; entrega a via ao cara e assim este percebe que precisa rever alguns hábitos e posturas.

          Rua do Lavradio. Bairro da Lapa. Um casarão com 2 pisos, na verdade, agora um misto de museu, casa de cultura, shows, enfim um lugar fantástico numa rua histórica. O local lota de tal forma que em determinados momentos fica difícil se movimentar lá dentro. Formam-se filas imensas na entrada mas o esforço é válido. Chovia torrencialmente quando tomamos um táxi na madrugada para ir embora.

Re-lembrando




          E, após dez anos, lá estávamos nós novamente naquele pedaço do Brasil que permanecera no tempo em seus edifícios sóbrios e imponentes e em sua gente branca, auto-suficiente,  refinada.Não que não houvesse os outros, havia sim, mas estes eram os outros.Porteiros negros e suas risadas abertas, ou quase; cuidadores de cães; mulatas a servir cafezinhos (caros ) com uma expressão de quase tédio.

          O vôo, tranquilo,conexão em Congonhas,SP, um aeroporto de pista curta. Ao chegar, devidamente  acompanhados por uma velha senhora da extinta Jovem Guarda, comentamos entre  nós a respeito da implacabilidade do Sr Tempo pois ali, com suas filhas, ela poderia nos dizer de coisas que viu e viveu nos últimos 120 anos.

          (...)  

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Do menino




Defronte ao espelho ele percebia
e se assustava com o rosto ali plantado
o semblante de um menino assustado
com o mundo que via.

Ele estava enganado, ele sabia
sabia ser o menino a sua frente
tentava então parecer indiferente
mas o menino a sua frente o percebia.

Emudecido, e aquele olhar lhe indagava
se  ele se lembrava de algo ao seu respeito
e o som das palavras no seu peito
lhe afogava.



E a luz daquela sala era intensa
deixava os seus sentidos embotados
suas mãos trêmulas, seus olhos marejados
naquele encontro o desnudar da inocência.

O menino lhe acenou e ele chorou
e tentou fugir mas o menino lhe pegara a mão
era tarde e ali ele ficou

Após um certo tempo ali parados
o homem e o menino se afastaram
e a cortina do tempo os separou.


Oz
fev.2015