quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

20.04.97

Sono. Ressaca. Boca com gosto de cabo de guarda-chuva. Ontem a toalha envolta embotando o cérebro.
Gengibre. Vinte e nove. Cerveja. Festa. Yoná e beijo lascivo. Ciúme dos garotos. Festa cheia de pessoas em busca de algo. Casa na madrugada. Vômitos.

21.04.97

Ontem, Domingo. Nada. Casa. Noite. La vicina bionda. La ragazza biondina. Me sembra che lei voglia...

10 horas

Ônibus para Goiânia.

17 h 42 m

Borboletas de fogo sobrevoam mansamente por sobre flores esqueléticas de plástico. A chuva continua molhando os lábios e os olhos cegos da multidão.
Me ne frego.
As horas vagas me alucinam em direções intermináveis nas quais cavalgo o rocinante que me coube e a tantos Sanchos e outros quixotescos abismos iluminados pelo verbo.

Não há limites para a superfície do corpo; extensão dos meus impulsos clones desvitalizados pelo instante. Janelas que vêem no silêncio sápido do sonho e da noite e da morte. oh, extensão inimaginável do medo...

19 h 50 m

June aparece na casa. " Uma cerveja ? Claro "Descemos à praça. Ambos chegamos de viagem. Eu, de N. Veneza. Lei, de Brasília. Pequenas viagens. Na praça, a gata de olhos inquietos. A conversa gira em torno de coisas triviais. Ruas desertas. De repente, " vamos lá pra casa ? " " Claro. "A garota de olhos inquietos e ligados vai embora, eu fico. Vinho na geladeira. Vinho a embalar os sentidos acesos.

Noite entrecortada de ruídos.
noite azul.
andarilhos vagando na noite azul.
Noite insana.
peles-vermelhas num tropel hipnótico.
A garota e suas pétalas multicores na calçada.
Seus brinquedos, fantasias & deuses.

O silêncio.
O sono e a manhã seguinte.
Ela diz que sonhou flores do mal a cobrir seu corpo repleto de desejos e medos e fantasmas bêbados.
Ela não sabe que o seu corpo é um campo minado num jardim esquecido em nenhures.

Nenhum comentário:

Postar um comentário