quinta-feira, 2 de junho de 2011

Divagações à respeito de Sofia.


Sofia me fez voltar à superfície. Devo-lhe o regresso a este mundo gris e eterno e ainda que eu acredite em acaso algo me diz que os meus antípodas assim o quiseram.
Sofia existe apenas na minha imaginação de predador de sonhos e, mesmo assim, construo-a cotidianamente com os meus pensares tortos e os meus pincéis atômicos.
Sei-a estranhamente lúcida num universo envolto em sombras e setas e cálices e, por um mísero instante, tenho a ilusão de ter capturado o segredo da tua existência ímpar.
Ah, Sofia, estivesse eu à sombra dos teus cabelos revoltos, suave tempestade num ponto incerto do oceâno Atlântico, ilha formada de corais e habitada por amazonas em flôr...
Quisera eu vislumbrar os teus arcanos, constelações formadas de fulgurantes pássaros azuis...há uma paisagem em ti e nela se percebe toda a verdade e toda a beleza da lenda, rósea carne e inquieto espírito e surgem sensações a mim pouco conhecidas e que ainda não ouso nominar.

Leve é o teu passo!
Onírica a tua lembrança!
Difícil o saber, o sabor da tua história!

Em algum lugar, Sofia, num tempo muito distante alguém disse: " Sou feito da mesma matéria de que são feitos os sonhos " , sou tentado a imaginar que talvez tal afirmação talvez se aplique a ti pois existes porque alguém a sonha e quando este alguém acorda só pode sentir que tu eras apenas parte de uma qrande fantasia noturna, mesmo assim este alguém insiste em fechar os olhos pois não mais consegue respirar sem a tua alucinante presença diáfana nesta noite ilusória que permeia perenemente o real, a vida e o sonho. (...)


Ozênio
01.06.2011 00:27 hs

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