sábado, 4 de maio de 2013

Charlie, Clarice e os girassóis




                                                                                                " Sem endereço a alma acaba louca "1*


           E Charlie pensa: Onde andarás Clarice, que um dia, talvez numa madrugada insone fez ressurgir neste velho timoneiro a lembrança de uma terra distante ?
     
      Percorre um jardim decrépito, abandonado, da sua pequena aldeia e em cada banco surge a figura de uma fêmea que pensa ser ela mas quando se aproxima vê que não há ninguém era apenas outra miragem, então acende um outro cigarro.
     
    "mil vezes sem ti eu remo para mais adiante"2*
     
    Onde andarás Clarice ? seria ela um peixe que agora se esconde entre corais de alguma baia remota ? Um pássaro? às vezes no silencio da tarde Charlie sente próximo a ti um rufar de asas e logo pensa : minha mente se tornou uma nau desgovernada...
     
    De todo modo continua a percorrer um caminho incorrigível e tortuoso e mesmo só com seus antagonismos prossegue pensando ter Yeats e Plotino como amigos.
    
    Seu credo, seu verbo, seu chicote.
    
   Clarice o faz divagar e busca meios de se despir de uma fantasia de amor primária : uma mulher que o carregue envolto em lençóis lúcidos por um bosque de bétulas até a fonte sagrada de Aquárius onde ela encantadoramente cálida e triunfante e faminta assina com sangue um caderno de poemas de amor e medo.
    
   Charlie, Charlie Charlie...
     
   Que mistérios habitam o coração desse homem que vaga por uma vida febril e insone ?
     
   Clarice lhe ensinou que existe o amor e existe Thánatos, existe o ser e existe a esfinge. Ambos expulsos de Delfos...
     
  Clarice lhe guiou por labirintos de luzes e trevas, de reconhecimento e estranhamento, de turbulência e paz.
     
   È certo que os dias de encantamento ficaram para trás e ela agora é inquilina de uma senda imaginária...




Oz
Maio de 2013
00:35 hs

1*2*-PMCampos.






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